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Exposição “Pinturas Recentes” de Sady Raul

 

Exposição “Pinturas Recentes” de Sady Raul encerra fase atual na Galeria de Arte Solar do Rosário

 

 

No dia 26 de agosto, domingo pela manhã,  será inaugurada a exposição “Pinturas Recentes” do artista plástico Sady Raul Pereira.

Nessa exposição ele se despede da fase atual. Para falar sobre o artista e sua obras abaixo o texto do Crítico de Arte Fernando Bini.

A exposição abrirá dia 26 de agosto, domingo as 11h na Galeria de Arte Solar do Rosário com a presença do artista.

A exposição permanece até o dia 13 de setembro.

Rua Duque de Caxias, 04 – Centro Histórico

(41) 3225-6232

www.solardorosario.com.br

Entrada Gratuita

SADY RAUL PEREIRA, pinturas recentes 

 

 

Suas pinturas guardam algo que vai do medieval ao maneirismo, trabalhadas com as técnicas contemporâneas da repetição e da acumulação; fica claro o jogo entre o continuum do espaço e do tempo medieval, com a homogeneização espaço-temporal da perspectiva renascentista e as múltiplas perspectivas maneiristas, chamado atenção principalmente para o corporal, para a presença do corpo, para o tocar; as figuras têm sempre um duplo sentido, e são tratadas com os efeitos de ilusão de ótica, é surrealista esse jogo trompe-l’oeil, mas é também aparentando ao pop-art, quando as figurinhas humanas se passam por retículas, que com o afastamento do observador, e provocadas pelos claros/escuros, deixam perceber outras figuras que se formam em sua retina: são Ícones, frontais, e que nos olhos (lembram os ícones bizantinos que tem sempre seus olhos fixos no espectador).

Chegamos assim ao significado central da obra de Sady, o olhar, (lembrando o título do livro de Didi-Huberman: O que vemos, o que olha). A profusão de figurinhas humanas, silhuetas, que são traços ou signos, retículas, são também fantasmas de corpos, pois é impossível abstrair completamente o corpo. As figurinhas intercaladas e superpostas evocam planos e espaços caleidoscópios endereçados prioritariamente ao olhar, então ele se aproveita de um cromatismo bem pesquisado para desafiar a razão.

“O que me determina fundamentalmente no visível é olhar que está do lado de fora” diz Lacan no seu Seminário 11; que olhar está do lado de fora? Contra a tautologia de Frank Stella, “o que vemos não é o que vemos”. O quadro nos incita a percorrê-lo com os olhos, esta maneira de constituir objetos à partir de acumulações de restos e detritos é parte da arte contemporânea, e aqui leva-nos a reflexão de que o homem atual é também detrito, sobra, numa sociedade altamente industrializada e automatizada, esta é a maneira de Sady convidar o nosso olhar a perscrutar todas as metamorfoses, aparentemente incansáveis, deste pequeninos “seres” humanos que perderam definitivamente o seu lugar, quando as hipermáquinas se tornaram auto-suficientes.

É a repetição até a saturação, o “maneirismo” do esgotamento das repetições “pops”, mas a forma unitária, total, é  restabelecida nas figuras invisíveis do trompe-l’oeil. Como as figurinhas apresentam gestos de dança ou movimentos de corpos, nosso olho se vê também obrigado a dançar e a se movimentar no momento em que o quadro é oferecido ao nosso olhar capaz da descoberta de seu mistério.

Concluo citando ainda uma vez mais Lacan: “… em presença da representação (…) me garanto como consciência que sabe que é apenas representação, e que há, mais além, a coisa, a coisa em si”.

E agora vamos ao exercício do olhar…

Fernando A. F. Bini.

Professor de História da Arte e Estética.

                             Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte- ABCA.

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