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Anomalias dentofaciais podem gerar distúrbios do sono

Dr. Gerson I. Köhler

Dr. Gerson I. Köhler

 

Anomalias dentofaciais podem gerar distúrbios do sono em crianças ?

 

image001Os distúrbios obstrutivos da respiração durante o sono – em crianças – podem ir de roncos até os temíveis episódios de apnéia (paradas sucessivas da respiração).

Segundo o professor Gerson I. Köhler, membro da Associação Brasileira de Sono e da ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial – o ronco crônico, embora seja bem mais comum em adultos, também acomete crianças, mas nestas é considerado anormal e compromete tanto a saúde geral como interfere no processo de crescimento corporal infantil.

Segundo estudos recentes, publicados no conceituado periódico American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, a prevalência de ronco em crianças é da ordem de 3% a 12%. Já a prevalência de apnéia obstrutiva do sono varia, nas crianças, de 0,7% a 10%.

Para Juarez Köhler – associado da Köhler Interdisciplinar/Ortopedia Facial – a adenoide e as amigdalas palatinas hipertrofiadas (aumentadas em seu tamanho) costumam ser os maiores causadores do quadro de inadequação respiratória durante o o sono (roncos e apnéias).

Mas não somente estes dois fatores etiológicos que podem estar presentes.

Existem outros fatores importantes a considerar, pondera Gerson I. Köhler. Estes outros fatores referem-se ao crescimento inadequado dos ossos faciais, principalmente mandíbula e nasomaxila, que contém, respectivamente, os dentes inferiores e superiores.

Estas inadequações, afirma o especialista, são detectadas através dos chamados estudos cefalométricos, feitos com base em exames radiográficos/e/ou tomográficos da região craniofacial.

Juarez Köhler acrescenta que estes pacientes pediátricos – os roncadores e apnéicos – costumam apresentar alterações do crescimento facial que são objeto de diagnose e tratamento pela moderna Ortopedia Facial e também pela Ortodontia Pediátrica. Estas alterações da região dentofacial nas crianças (que são  perpetuadas nos adultos se não tratadas na infância e adolescência) costumam, via de regra geral, fazer parte do quadro clínico dos portadores de distúrbios respiratórios obstrutivos do sono.

Para o Professor Gerson I. Köhler – docente convidado de pós-graduação, da UFPR – estas alterações nas proporções do rosto acabam tendo repercussões nocivas sobre o sistema respiratório, pois nariz e boca (a região dentofacial) estão – anatomica e funcionalmente – diretamente interligados.

No entender do especialista, as crianças predispostas a distúrbios respiratórios do sono (ronco e apnéia obstrutiva) geralmente tem o formato do rosto mais alongado, sendo que a mandíbula se posiciona de forma inadequada. Presentes, nestas crianças, também alteração da tonicidade dos músculos (que ficam flácidos). Esta conjunção de fatores – explica o especialista – faz com que a boca tenda a ficar aberta, principalmente à noite durante o sono. E a respiração bucal (lembre que a respiração correta deve sempre ser feita pelo nariz) se instala como uma forma suplementar – e necessária, nestes casos – de poder respirar.

Por esta razão – ponderam os especialistas da Köhler Interdisciplinar – as chamadas questões dentofaciais (que envolvem o crescimento dos ossos faciais e também a posição dos dentes em suas arcadas superior/maxilar e inferior/mandibular) devem ser diagnosticadas e tratadas com a precocidade necessária.

Não se deve, atualmente, postergar este tipo de tratamento dentofacial, sob pena de deixar que os distúrbios obstrutivos respiratórios se instalem e se cronifiquem na criança.  

Estas questões, pondera Juarez Köhler, são, normalmente tratadas de forma associada entre a ortopedia facial/ortodontia pediátrica e a otorrinopediatria.

Importante saber que as questões dimensionais alterada do rosto ocorrem tridimensionalmente, pois um rosto longo normalmente será também estreito, com a região da boca alterada tanto na sua morfologia quanto no posicionamento dos dentes, sejam eles decíduos (de leite) ou permanentes.

Desta forma, segundo o periódico cientifico norte-americano citado acima (American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics) , 18% das crianças e adolescentes dos Estados Unidos  tem alterações e desarmonias na região craniofacial, com expressão mais intensa na parte dentofacial, que inclui a boca e os dentes. E a situação não é diferente no Brasil, onde os percentuais de anomalias dentofaciais em crianças se aproximam dos americanos.

Isto considerado, se sua criança está respirando pela boca ao dormir, alerte-se, pois algo de anormal está ocorrendo em termos de funcionalidade respiratória. E consequências – que podem ser severas – advirão, não somente nas questões do crescimento facial, mas também com relação à presença de distúrbios respiratórios obstrutivos do sono, dos quais o ronco e as apneias (cessações repetidas da respiração) são típicas.

Se isto estiver ocorrendo com seus filhos, procure um especialista nestas áreas clínicas, com a urgência que se faz necessária. Não postergue esta avaliação de seus filhos.

A saúde geral geral deles agradecerá por isto.

 

Fontes:

– Juarez F. W. Köhler e Gerson I. Köhler são membros especialistas ligados à Associação Brasileira de Sono e à ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, filiada internacionalmente à World Federation of Orthodontists – WFO – USA

– Associations between sleep-disordered breathing symptoms and facial and dental morphometry, assessed with screening examinations – American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, dec. 2011

– Treatment of obstructive sleep apnea in children: do we really know how? – Sleep Medicine Reviews, 2003

– The nasomaxillary complex, the mandible, and sleep-disordered breathing – Sleep Breath, may 2011

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